Pela Pátria ou... Portugal! Portugal!


Numa competição europeia só pondero apoiar um clube não português, se não estiver nenhum clube português envolvido. Na final da Taça da Liga Europeia esse apoio torna uma dimensão ainda maior. Nestas finais, é Portugal que está a jogar.

O meu filho mais velho queria apoiar o clube estrangeiro, porque confundiu estrangeiro com Transmontano... e, tendo primos, tios e amigos por terras de Trás-os-Montes, queria apoiar a equipa da família e dos amigos para que eles ficassem contentes. A filosofia de base é a mais correta e lúcida que tenho encontrado nestas questões do futebol. Mesmo especialistas da área não conseguiriam ser mais sintéticos nos motivos encontrados para apoiar um clube que não o nosso. Com base nesta filosofia, vamos analisar de forma racional os dados do jogo.

Chelsea: 
1. Não tenho amigos do Chelsea. 
2. É uma equipa inglesa. O facto de ter jogadores portugueses não pode ser o motivo para apoiar uma equipa inglesa. Se for esse o motivo para se apoiar a equipa de outro país, vejo apenas como uma desculpa tão esfarrapada como dizer que a Apple é a minha empresa preferida porque tem lá alguns portugueses a trabalhar. Pode haver vários motivos, mas quem apresenta este motivo camufla as suas verdadeiras razões.

Benfica: 
1. Tenho família benfiquista. Tenho amigos benfiquistas. Ficariam felizes com a vitória do benfica. Eu ficaria também um pouco mais feliz com a felicidade da família/amigos.
2. É uma equipa portuguesa. Este facto deveria ser suficiente para apoiar qualquer equipa portuguesa no estrangeiro. Também é o prestigio de Portugal que está em causa.
3. Com a vitória, estará a contribuir não só para um prestígio intangível, mas para o ranking de Portugal na UEFA, com impacto direto e mensurável em todas as equipas portuguesas.

Posto isto, expliquei ao meu filho porque devia apoiar o benfica. Começou a gritar benfica, benfica, o que muito me estava a custar. Ainda lhe disse: "Apoia em silêncio, filho!", mas apoiar em silência não é coerente com um jogo de futebol, e muito menos com uma final emocionante como a que opôs o benfica ao chelsea. O meu filho mais novo, que ainda não se manifesta sobre estes assuntos, teve uma saída de mestre. Gritou: "Portugal... Portugal!"
Encontrou uma forma airosa de todos apoiarmos o benfica, sabendo que Portugal é mais importante do que os clubismos e os bairrismos tantas vezes levadas a extremos irracionais, mesmo por gente a quem se reconhece competência e racionalidade em muitas outras áreas.

Não é pensamento original, pois já li esta reflexão em autores conceituados, mas pelos comentários e lutas linguísticas que proliferam no dia seguinte a este ou a qualquer outro jogo, estou convicto que o futebol é um dos motivos maiores de discórdia entre regiões em Portugal. Vejamos o irracional apoio de vários adeptos de qualquer clube, seja do Porto, do Benfica, do Sporting aos clubes de outro país, quando jogam contra um clube português! Mesmo sabendo que o seu clube será desportiva e financeiramente prejudicado pelo menor desempenho de outro clube de um mesmo país. Felizmente, o ranking da UEFA faz-se por representantes de um mesmo país e não de regiões. Este bairrismo levado ao extremo é um dos fatores que maior divisão provocam nesta nossa Lusitânia.

O desafio
Havia uma anedota da época da adolescência da qual me ficou uma frase em que se dizia a determinado momento: "coloque a bandeira nacional na cara dela e faça-o pela pátria!" O desafio que deixo é: façam como a anedota, coloquem a bandeira de Portugal à frente da televisão e apoiem, seja qual for o clube português. Que o façam pela Pátria!

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