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Luso: Criatividade na ACJL e Maria João na Fonte de S. João
Ir à Vila do Luso dá-me sempre uma particular satisfação. Para além de alguns amigos que são de lá, está sempre associado a momentos de lazer.
No fim de semana passado tive a satisfação de partilhar conhecimentos sobre criatividade e algumas das suas ferramentas, com alguns associados da ACJL. Esta associação, para além de muito e bom trabalho, quer aumentar as competências dos seus associados. Têm passado pela AJCL pessoas que competentes, que têm papéis importantes na dinamização e progresso das comunidades em que se inserem, colocando as suas aprendizagens e competências ao serviço das suas comunidades.
Esta oportunidade de partilhar algumas das aprendizagens que tenho tido ao longo da minha vida, foi muito positiva. Primeiro, por ver um grupo de pessoas com vontade, que sacrificam a sua vida pessoal por acreditarem no papel do associativismo. Só por isto, já teria valido bem a pena.
No entanto, o Luso é fértil em boas surpresas, e no sábado à noite, voltei à Vila Termal e assisti a um concerto divinal, da Maria João e dos Budda Power Blues... num cenário absolutamente celestial, na fonte S. João.
Agora, que se aproxima o Carnaval de Verão da Bairrada, a decorrer no sambódromo da Mealhada, a fasquia está alta. Como será?
Os selvagens!
No domingo, depois de arrumar a cozinha, em vez da
habitual paragem no sofá para fazer zapping pela deprimente televisão nacional
(ao domingo à tarde) decidi que haveria de ir levar a reciclagem ao centro da
vila do Luso.
Esquecendo-me de que era domingo, depois de “despejada”
a reciclagem no seu devido lugar, decidi que iria à Fonte de São João encher
cinco garrafões de água, apenas cinco.
Ao leitor do Luso passo a explicar as razões porque
fui à fonte buscar água (não é muito habitual ver por lá alguém do Luso):
1º - a água de minha casa é de furo e prefiro beber a
da fonte (questões de segurança);
2º - é mítico o gesto de ir à fonte buscar água;
3º - curiosidade em apreciar a fonte num domingo à
tarde.
Não era verão, mas o tempo estava ameno.
Cheguei com os meus cinco garrafões na mão e havia…
FILA!
CONSTATAÇÕES:
1.
Eram imensos os rótulos espalhados pelo chão e
presos nas grades por onde escorre a água;
2.
As pessoas acotovelavam-se para encher mais
garrafões que o vizinho e havia mesmo quem estivesse com garrafões em três
bicas. Ou seja, duas mãos a controlar três garrafões a encher de cada vez;
3.
Os garrafões vazios que estavam à espera de
encher (à exceção dos meus) eram de todas as marcas menos do Luso ou do
Cruzeiro. Reinava Mini-Preço, Continente e Pingo Doce;
4.
O que mais se ouve é: “Leva, leva! Ali, ali…
corre! Vai ao carro, mas vai depressa e volta para buscar mais!”
Embora estagnado, perplexo e até um pouco anestesiado
com tamanha insensatez, continuei impávido e sereno a assistir à “comédia” até
que fui “ultrapassado”. Do alto dos seus sapatos altos e das suas gangas
justas. A senhora que desceu as escadas apressadamente, em jeito de corrida,
olhando para trás e dizendo ao marido barrigudo e de bigode que corresse, não
viu a fila, não respeitou a espera dos outros e com sorrisinho malandro (à
tuga) esgueirou-se para a bica que há 2 segundos tinha ficado livre. A bica que
era (ou ia ser) minha!
O cúmulo: olhou para mim, de alto a baixo. Virou a
cabeça ao chão. Não satisfeita, voltou a olhar para mim e de novo o sorrisinho
malandreco a dizer-me: “fui espertalhona!”
A isto apenas consegui abrir a boca e responder: “nunca
viu um fato de treino com um homem lá dentro?”
Fiquei incrédulo. O senhor de bigode lá chegou.
Esperou que os garrafões enchessem. Arrancou o resto de um rótulo que já estava
pendurado, deitou-o ao chão e acartou com os garrafões. Os saltos altos
seguiram-no, não sem antes voltar a dar o sorrisinho maroto ao tipo de fato de
treino: “fui espertalhona!”
Enchi os meus garrafões e no caminho para casa vinha
a pensar em ideias (perigosas) para solucionar tamanha insânia na fonte de São
João, no Luso. Aqui ficam algumas dessas ideias (perigosas ou estúpidas):
1.
Criar um cerco à fonte e colocar um fiscal que
atribuiu senhas aos “esfomeados por água” e um número mínimo de garrafões a
encher. Mas, quem pagaria este senhor? A junta, a câmara, os parquímetros que
não existem nos estacionamentos que circundam a fonte, etc…
Este mesmo
fiscal aplicaria multas a quem deixasse rótulos no chão ou garrafas e garrafões
abandonados…
2.
Libertar duas bicas (as das pontas, por exemplo)
para que os turistas possam encher a sua garrafa e/ou beber água na palma da
mão;
3.
Obrigar os “esfomeados por água” a receberem
cinco minutos de formação de boas maneiras, valores e boa educação.
Esta última será, sem dúvida, a mais necessária, mas
aquela que deveria também ser a mais dispensável, porque afinal de contas todos
devemos ir adquirindo, à medida que crescemos, boas maneiras, valores e boa
educação.
As ideias são perigosas, mas alguma coisa há a fazer
naquele local. Quem tiver ideias melhores que as apresente e as implemente.
A grande conclusão que tirei, e com efeitos imediatos
a partir de agora: seja verão ou inverno, ir buscar água à Fonte de São João,
no Luso, para beber em casa, nunca ao domingo e sempre depois das 20h.
Para ver selvagens, escolho outro sítio!
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