1/2h de terror ou crónica de uma negociação macaca

O processo de negociação que hoje terminou, é o exemplo claro de uma negociação bem feita por parte do governo. Direi que o governo ganhou em toda a linha, mesmo que se tenha ficado com a sensação de que cedeu em alguns pontos. Analisando o processo de forma sumária, podemos verificar alguns momentos interessantes:
1. Lança-se a bomba: indica-se, de forma convincente, que uma das medidas para combater a crise é o aumento do dia de trabalho em meia hora, com as variantes possíveis e imaginárias.
2. Não se comenta os comentários dos comentadores durante algum tempo, não desmistificando a situação e dando azo à construção de cenários, nenhum deles idílico.
3. Dá-se tempo para que todos pensem na sua vida e antevejam o seu futuro. A meia hora é assimilada e é vista como uma inevitabilidade.
4. Começam-se as negociações com o pressuposto da meia hora perfeitamente assumido, assimilado, interiorizado, entranhado por todos.
5. Acrescentaram-se mais umas medidas anti-crise.
6. Trocam-se as restantes medidas anti-crise pela famosa meia-hora.
7. Alívio! Afinal, trocaram uma medida que estava apenas no campo da especulação, mas que preocupava meio mundo, por um conjunto de outras medidas que propuseram agora. Bela negociação! Todos saem com a sensação de dever cumprido. Um grande bem haja a estes grandes senhores.

Ao ver todo este processo, lembro-me de uma história que recebi por e-mail, passada num reino longínquo, que estaria no âmbito do imaginário se estas situações não nos recordassem que é difícil encontrar imaginação tão criativa como a proporcionada pela realidade:


"Era uma vez... um amestrador de macacos, que vivia num reino longínquo. Esse amestrador, tirava uma parte da abundante comida da sua família para dar aos macacos. Durante o tempo de vacas gordas, esta situação era perfeitamente pacífica. Mas este tempo passou, e chegou o tempo das vacas magras, com escassez de alimento. Com muita tristeza, o amestrador teve que diminuir as quantidades de comida a dar aos macacos. Gostava muito dos macacos e conhecia-os bem, pelo que sabia que se podiam tornar violentos ou fugir. Não os devia contrariar. Falou com eles e disse-lhes:
- Meus queridos amigos, o momento é difícil. Há que tomar medidas difíceis e que me custam mais a mim do que a vocês. Proponho que, a partir de agora, passem a comer 3 castanhas de manhã e 4 à tarde.
Os macacos protestaram imenso e gritaram, barafustaram! Que desfaçatez! Que descaramento! que pouca vergonha! Nunca! Isso, nem pensar!
O amestrador, sabendo a natureza dos macacos, disse-lhes:
- ok, ok! Percebo a vossa reação e sou sensível às vossas necessidades. Vou dar-vos 4 castanhas de manhã e 3 à tarde! Concordam?
Os macacos, sentindo que tinham ganho a negociação, e com um sorriso nos beiços, aceitaram o acordo que tinham negociado!"  

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