sacrilégio é não ler... Manuel Villaverde Cabral

Há entrevistas que devem ser lidas. Não ler é o verdadeiro sacrilégio. Independentemente das interpretações posteriores, permitem refletir sobre a atualidade que é relevante para o nosso quotidiano.
A entrevista de Ana Sá Lopes a Manuel Villaverde Cabral, sociólogo com larga experiência de vida, devia entrar para as escolas políticas. Pela clareza e simplicidade com que se dizem as coisas.
Em comentários posteriores alguém dizia que todos os governos que tivemos foram socialistas. Receio que haja aqui um fundo de verdade. Claro que não deixa de ser preocupante o método de avaliação de Manuel Villaverde Cabral, como podemos ver no  aventar. Mas não deixa de ser claro e simples.
Ficam a seguir alguns excertos:


O que pensa do novo governo?
Vou surpreender toda a gente: estou satisfeito por ter um governo novo que teve desde logo a virtude de desfazer uma situação absolutamente agónica em que nos encontrávamos, não só pela crise enorme em que estamos (talvez um bocadinho menos hoje do que há uma semana) mas pelo factor Sócrates que envenenava tudo e bastou ele sair de cena e ficou tudo mais leve. Até ele.

(...) 

Mas mesmo os grandes defensores das agências de rating, como o primeiro-ministro e o Presidente da República, também já estão passados...
Primeiro, se nós não devêssemos dinheiro não tínhamos que nos preocupar com as agências de rating. Nunca tínhamos ouvido falar delas porque, embora estivéssemos endividadíssimos, na altura isso era parte do jogo(...)

(...)

Mas como é que o professor pode falar em socialismo na situação actual?
Então se quiser eu mudo. Um clientelismo de Estado.

Ah, isso é outra coisa...
Não é outra coisa, não! O socialismo é um clientelismo de Estado! Levei 70 anos a descobrir. Claro que isto é soft, evidentemente, somos livres, podemos dizer mal do governo, não serve para nada mas podemos, e isso é fundamental. (...)

(...)

Não tinha dinheiro...
Fomos nós que emprestámos todos e a senhora Merkel também sabe disso, ainda por cima ela veio de lá [República Democrática Alemã]. A senhora Merkel tem medo de perder votos com a decisão que tomou e Sarkozy pensa que pode ganhar. Porque a sociedade francesa é diferente da sociedade alemã. Mas o federalismo à americana nunca vai poder existir na Europa(...)

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