Carta de encerramento sem aviso de receção!





Na quinta-feira (30 de maio) foi o último dia em que funcionou a estação dos CTT da vila turística do Luso. Na encosta da serra do Buçaco, no concelho da Mealhada, já não há correios! Agora, a carta para o amigo, para o tio emigrado em França, a encomenda com os típicos doces regionais que era despachada para a Suíça, ou até mesmo o telefonema que era feito para a Ucrânia terão de passar a ser feitos na papelaria da vila.

Nada contra os proprietários do dito estabelecimento comercial, conhecidos meus de há longa data e por quem tenho admirável estima, mas sinto que tristemente começamos a desvirtuar o sentido das coisas.

E, se já achava, ou me sentia, num país e num mundo com valores desvirtuados, agora até mesmo os serviços começam a sofrer mutação!
Não digo que não tenhamos todos (incluindo os serviços) que passar por ligeiras e constantes metamorfoses, mas daí a encerrarmos uma estação dos correios, numa vila turística, que queremos (teoricamente desenvolver) vai uma grande diferença.

Já algum dos prestimosos leitores viajou? Emigrou?

O mais provável é que me responda que sim! Pois, em França, enquanto por lá andei a estudar, reparei que na mais recôndita aldeia dos Alpes franceses poderia faltar tudo, à exceção de “la poste” (CTT). Os correios, em França, representam o principal elo das populações pequenas com o grande mundo que as rodeia!
Em Portugal, o conceito é (teoricamente) o mesmo! 

Ora, para levantar a ENORME reforma que aufere ao final do mês, a minha avó (de 76 anos) vai descontar da sua ENORME reforma, a PEQUENA quantidade de 20 EUR de táxi (Luso-Mealhada-Luso), para ir aos Correios à Mealhada levantar a sua ENORME maquia!
O que me deixa ainda mais triste e indignado é que dos cerca de 3 mil habitantes da freguesia do Luso, nem pio…

De todos estes, já ninguém utiliza(va) os CTT e, por isso, para quê lamentarmos, para quê lutarmos, para quê contrariarmos? Que se feche!!! Ora, só esta triste “alminha” precisou de enviar uma carta registada precisamente no primeiro dia do encerramento!

Doeu ver a porta fechada… Doeu como dói ver à venda “Água do Luso” e saber que é engarrafada na freguesia vizinha da Vacariça, doeu como dói saber que já nem a fábrica da água é na terra onde esta nasce! E só não vai nascer mais ao lado, porque ainda não encontraram forma de contrariar a natureza, caso contrário… 

Está carimbado o encerramento. Fechou, já não volta a abrir… 

No envelope dos encerramentos, o que mais lá vamos colocar?


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