A árvore do atum

Desde que tinha a sua Van Street Food deLux, não havia paragem.
O Lopes ia todos os fins de semana para feiras, festas e romarias.
Volta e meia era convidado para ir a festivais mais esotéricos.
Além do seu emprego normal de picheleiro, na Câmara Municipal de EncheCamas era mestre da culinária. Tinha poucas receitas, dir-se-ia que eram muito restritivas, mas orgulhava-se de fazer bem as que fazia.

Os pratos de eleição, que eram os seus best-sellers, eram as bifanas com molho de leitão e a dobrada "mix jindungo sob caril". A escala de picância foi alargada para contemplar os novos limites alcançados pela dobrada mix. E as minis exigiam um reboque complementar para saciar o fogo provocado. Aliava o género enfarta brutos, com quantidades generosas, com a confeção de elevada qualidade e finura, o que fazia com que fosse convidado para eventos singulares. Alguns, excêntricos.

Já tinha estado em vários festivais, alguns dos quais exigiam que metesse dias de férias em EncheCamas para passar uma semana pelo festival. Os de Verão, eram banais. O melhor onde tinha estado?... o de Pratigi... ou talvez o "Go Blonde"! O mais estranho? O Festival do Testículo. A sua comida tornou-se absolutamente banal, no meio daqueles Arghh "banquetes"!

Agora, no zeNFEst A-dos-Pretos 2015, apareciam novos desafios. Muitos dos clientes questionavam se havia outra comida, sem carnes e afins. Se havia comida vegetariana. O Lopes respondia que sim:

- Aqui, na Van Street Food deLux, temos soluções para touts, dizia orgulhosamente. Estamos a lançar a linha VegLux. A primeira sandes que surgiu foi a sandes de atum e alface com maionese, dizia, polindo com o polegar direito a medalha com a atuneira, que tinha ao pescoço. Não a tirava desde que tinham surgido estas tendências dos vegetarianos.

Afagar a medalha com a árvore do atum, dava-lhe sorte.

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