Como correr 40 minutos?



Definir Objetivos

Há objetivos que ficam sempre relegados para segundo plano, pela aceleração constante presente no dia a dia. No meu caso, sempre quis praticar desporto com regularidade e aprender a tocar guitarra/viola.

Decidir
A decisão nem sempre é fácil, mas o contexto ajuda-nos sempre a tomar as decisões. Nesta fase da vida, a decisão foi começar algum desporto. A guitarra/viola fica para daqui a uns tempos, quando o desporto estiver bem consolidado nos meus hábitos diários. Serei um Carlos Paredes tipo Saramago, com um começo tardio na arte!

Escolher
Passei à fase de escolha dos desportos. Nada fácil... Karate, basquet, natação, futebol, ténis, BTT, golfe... Tive até umas lições de golfe que indiciavam algum jeito (para quem quer brincadeira, não para profissionais).

No entanto, qualquer um deles implicava:
* agenda do próprio desporto (incompatível com a minha profissão e a regularidade de horários que não tenho);
* mais tempo do que eu tenho (soa a desculpa), mas mais do que uma hora por dia torna-se, muitas vezes incomportável;
* compromisso com outras pessoas, em que, mais uma vez, os meus afazeres fariam com que nem sempre fosse possível cumprir.

O desafio estava a ser grande, associado a uma motivação que ainda não estava nos níveis mais elevados. A corrida, nunca esteve em cima da mesa, pois era desporto que pura e simplesmente era carta fora do baralho.

O contexto:
No entanto, quando recentemente o Tiago, num almoço, me disse que agora corria à hora de almoço e me desafiou a correr com ele, a resposta imediata foi "Nem pensar! Correr não é comigo! Essas experiências foram só no Liceu e nunca gostei muito." Mas fiquei a matutar nas minhas palavras, nas do Tiago e nas do Victor, um apaixonado pela corrida e de quem fiquei ao lado há uns meses na comemoração do aniversário do Coimbra Toastmasters Club.

Por coincidência ou não, fui a uma Night Runners na Mealhada que fez com que pensasse que este seria um desporto a ter em consideração. A Marta, a Janine, o Luis Carlos, o Amorim, o Miguel, foram pessoas que, de alguma forma, foram importantes nas primeiras corridas que fiz e que me mostraram que é possível correr, mesmo que disso não tenham consciência. Tive ainda a sorte de dar uma formação na Figueira da Foz, em que vários dos formandos eram praticantes ativos de desporto (diverso) e que deram dicas e mais motivação para continuar. Outra motivação relevante é o preço!! Nesta fase da minha vida é fundamental! Não tenho dinheiro nem para mandar cantar um cego, quanto mais para ir para um ginásio ou para um Health Club! Também queria massagens e serviço de quarto, mas para já, a corrida no exterior é uma boa opção!!

Começar
A questão principal passa por saber como começar a correr. Ver aquele pessoal que corre kms a fio com uma cadência de tapete industrial sem paragens é engraçado, mas desmotivante. É importante ter a consciência que uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. E esse pessoal, é outra coisa.

Há que saber bem quais são as nossas motivações para correr: fatores como saúde, peso, social, bem estar emocional ou psíquico, fatores morenas ou loiras, ou desafio pessoal. Normalmente há um conjunto de fatores, sendo que um deles provoca o click e contraria a inércia do sofá. 

O cuidado a ter nesta fase passa muito por saber dizer "NÃO"! É uma tentação enorme quando os amigos/as nos desafiam para correr. É uma honra, mas acarreta um risco grande: abandonar precocemente a corrida. Eu também queria começar a correr a curto prazo imenso, rápido e acompanhar todo e qualquer ser que corra no espaço em que normalmente corro.Sonho ser o Usain Bolt a fazer uma maratona com a velocidade constante que consegue nos 100 metros. Já me avisaram que será difícil! 

Custa dizer que não a pessoas que nos desafiam com a melhor das intenções, com um intuito claro de ajudar, mas há um caminho a percorrer antes de eu poder aceitar esses desafios. Primeiro, há que saber gatinhar para depois conseguir andar. É que eu corria 2 minutos e ficava a bufar como se fumasse 4 maços de tabaco por dia e tivesse 120kg em cada perna! Hoje, já consegui correr 4 séries de 6 minutos, intercaladas com marcha de 2 minutos. Impensável há duas semanas atrás! Já dá direito a marisco e umas cervejas! Brincando, né?

O que fazer?

O que fiz, foi procurar um programa que me ensinasse a correr e a melhorar gradualmente as minhas capacidades, sem exagerar no esforço a realizar e sem sentir que cada treino tinha sido atropelado por uma manada de elefantes em fuga. Tinha que ter algo que exigisse esforço e, simultaneamente, permitisse que no dia seguinte pudesse ir para o campo de treinos sem ir a rastejar. 

Fui à procura de um programa que me parecesse interessante e adequado à minha lenta evolução e encontrei uma página que me pareceu adequada: corre 40 minutos. Correr 40 minutos é um desafio enorme para mim, mas as metas intermédias colocadas no programa fizeram com que eu, à partida, pensasse ser possível.

Nesta fase, há que definir pequenas metas e festejar as vitórias que se vão tendo. Tenho feito o programa de forma sequencial e sem saltar etapas e a noção de que correr 40 minutos é uma questão de tempo. Qualquer pessoa, desde que minimamente saudável, é capaz. Haja vontade.

Proximamente, ficarei aqui com o relato dos primeiros dias de corrida, que é um processo de treino e aprendizagem semelhante a tantas outras atividades. Desde outros desportos, como aprender a trabalhar com máquinas, como aprender a operar, como aprender uma língua, a cantar ou a tocar um instrumento musical! O princípio base é o mesmo e está relacionado com um número mágico, e com o treino dedicado à causa "em causa"!

Estou a aprender bastante com este processo, incluindo a importância da paciência. Os brasileiros dizem que "apressado come crú", e neste caso da corrida, é importante para mim a "slow evolution". Consistente, mas tranquila!

Falarei proximamente no processo de teste à nossa capacidade de corrida, o qual iniciei com um rotundo erro...
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