Dias que deviam durar uma semana Luso Lousã?

Há dias que deviam durar uma semana. Hoje foi um desses dias. Um dia diversificado e com presença em locais que só podem agradar a quem os conhece. Hoje foi dia de ir a duas vilas belíssimas, em duas serras de uma beleza estonteante que é um desperdício se não se visitar. 

O dia começou no Grande Hotel do Luso que tem imensos motivos para ser visitado. Depois de uma passagem breve por Coimbra, fui à Lousã e ainda deu para passar pelo Hotel sito na Casa dos Salazares, o Hotel Melià da Lousã! com direito a uma ida à casa de chá, perto da igreja matriz e onde foi engolido à pressa um chá de limonete produzido na região.

O final do dia foi na sempre maravilhosa escola agrária, mais precisamente, na escola de negócios do Iscac, para ouvir falar de dois mundos fascinantes: a gestão e o desporto. Esteve presente a oradora Clara Luxo, apresentando um estudo sobre a gestão e a importância das atividades desportivas em competências-chave resultantes dessa prática desportiva. 

Fascinante!



A Xico-Espertice é internacional, como prova Doria Tillier

Muitas vezes, fruto da maior proximidade, assumimos a xico-espertice como uma característica do Português. Enganar o próximo com pinta, fugir aos impostos, estar com o subsídio de desemprego a trabalhar, declarar mais filhos do que se tem, enfim, não faltam situações que ilustrem a nossa xico-espertice. Felizmente, todos os dias aparecem notícias que não nos deixam esquecer que esta qualidade não é nossa pertença, mas devemos dividi-la com inúmeros terráqueos espalhados por este planeta azul. Esta Doria Tillier prometeu despir-se se França fosse ao Mundial... e cumpriu, mas cumpriu com uma dose de xico-espertice que deixa a sensação de satisfação, por um lado, pois não estamos sós no mundo, e por outro lado um incómodo sentimento de desilusão, pois a forma como entrou de peito feito, fez com que todos nós, mesmo sendo "contra-natura", apoiássemos a seleção francesa. Escolheu uma câmara a 500 metros. Para quê? Podia-se despir e apresentar o tempo atrás de um biombo. Podia apresentar em formato de rádio. Podia apresentar na Gronelândia, com as câmaras apontadas diretamente de Paris para lá; Podia apresentar em debaixo de água em noite escura; Sendo transmissão à distância, podia ainda usar o Skype sem imagem. Tal como para o bacalhau há 1001 maneiras de cozinhar, também a Doria teria 1001 formas de apresentar a meteorologia. Mas não deixaria de ser xico-espertice. Seria preferível assumir que disse aquilo num assomo de loucura, ou que estava completamente convicta que os gauleses nunca conseguiriam ultrapassar a Ucrânia, que tinha tomado Grappa misturada com Xanax ou Coca-Cola (não Pepsi), com aspirina ou qualquer outra coisa, e todos compreenderíamos que tinha sido desbocada, tinha sido boca-rota e falado demais, tendo que recuar no que foi dito no meio da sua impetuosidade. Assim, apenas nos retiraram algo que pensamos sempre ser exclusivo nosso: a xico-espertice.

A Xico-Espertice é Internacional, ou como diria o outro:
Hoje em dia, a palavra vale menos que nada!!
Em determinados meios dir-se-ia que esta, mais tarde ou mais cedo, estará na política!

Desjejum, quebra-jejum, mata-bicho, pequeno-almoço ou café da manhã,



Diz-se que o pequeno almoço é a refeição mais importante do dia. Relativamente às refeições, diz-se que devemos tomar um pequeno almoço de rei, um almoço de príncipe e um jantar de pobre. Dos 15 pequenos almoços apresentados em Pequenos almoços pelo mundo, os que mais me fascinam (pelo aspeto), são o English Breakfast, o Waakye do Gana e o pequeno almoço mexicano. Esta lista de 15 foi retirada de uma lista de 50, que podemos ver em 50 pequenos almoços pelo mundo, elaborada por Victoria Philpott. Agrada-me o pequeno almoço israelita, o filipino ou o canadiano. Há uns quantos que seria interessante experimentar, mas sempre com o nosso pequeno-almoço mais tradicional ao lado, para fazer face a alguma eventualidade. É impressionante a variedade que existe em diferentes culturas, como já tínha visto em viagens e diferenças culturais. E tu? Que pequeno almoço preferes?

Chuva em Novembro, Natal em Dezembro! Já era!


Há tanta gente que usa o chavão "Natal é quando um Homem quiser!" e, quando o sr. Maduro põe em prática o que é dito há anos, todos olhamos para ele estupefactos! 

O sr. Maduro apenas põe em prática o que diz!!! Quem sabe se foi Chavez que disse aos operários do túnel que o Natal devia ser em Novembro! 

O sr. Maduro mata dois coelhos com uma cajadada só: põe em prática as palavras ditas sem consequências e põe fim a um mito urbano que nos dizia: "Chuva em Novembro, Natal em Dezembro!". Boa sr. Maduro!

[Sábado]

Requiem

 
Hoje, a palavra jogo significa certamente programa informático de lazer, distribuído através de CD, DVD ou por descarga da Internet, destinado ao entretenimento individual do utilizador.

Mas já houve um tempo em que jogo era uma coisa completamente diferente. Um jogo era uma caixinha de papelão, que tinha lá dentro um tabuleiro – também de papelão – algumas peças de madeira, plástico ou papel e um livrinho que explicava como se jogava. Depois, era necessário convidarmos os amigos – quantos mais, melhor! – para jogarmos.

Às vezes, havia discussões. Começavam geralmente porque alguém tinha feito batota – roubar uma nota da banca no Monopólio ou contar duas vezes a mesma casa para evitar uma casa preta no Jogo da Glória – mas acabavam sempre bem. Havia um vencedor e vários vencidos, mas não havia tiros nem ninguém morria. Era divertido.

A malta nova – se calhar – não entende; mas tenho a certeza que todos os quarentões aqui do sítio sentirão um aperto no coração ao saberem que a Majora fechou.

Relações com animais: uma certa desorientação


O debate sobre temas que envolvam animais alcança, normalmente, dimensões irracionais. Foi, é e será assim com as touradas, foi, é e será assim com o ataque de animais a seres humanos, foi, é e será assim com testes de diversa ordem nos animais, é e será assim com a versão vegetariana do ser humano, e é assim com o debate sobre animais domésticos e deveres e direitos dos próprios e de seus donos. A dimensão da questão ultrapassa o debate racional e apela às emoções mais básicas, primárias e incontroláveis, colocando-o num nível de discussão animalesca, com cacarejos, grunhos, arrulhos, guinchos, bramidos e até chilreios de diversos atores, provocando uma desorientação coletiva pouco desejável.

O Hércules da fraqueza


Ficheiro:Hercules Musei Capitolini MC1265 n2.jpg


Hoje quando lia a edição on line do Expresso foi inevitável a vinda à memória da expressão que a minha avó materna tanta vezes utilizou para me caracterizar quando estava a tentar fazer alguma coisa avançada demais para a minha idade. Ou quando simplesmente me mostrava (pela oratória) mais forte do que aquilo que era realmente. Ou quando me fazia de “valentão” e tentava alcançar o inalcançável. Perante qualquer um destes três cenários, a avó Milinha dir-me-ia: “Pareces o Hércules da fraqueza!”

Nesta mistura de metáfora com antítese, a minha avó queria mesmo dizer-me que estava no bom caminho para alcançar alguma coisa, mas que na verdade era ainda prematuro dizer que o iria conseguir num futuro próximo, o mesmo é dizer em curto espaço de tempo.


Hoje lia então na edição on line do jornal Expresso: “Na abertura das jornadas parlamentares conjuntas do PSD e do CDS, o vice-primeiro-ministro elogiou o esforço "hercúleo, digno e doloroso" dos portugueses”. Palavras de Paulo Portas para esclarecer (ou não) o povo que "é possível que Portugal esteja a poucas semanas de saber oficialmente que saiu de uma recessão técnica que durou mil dias", o que "tem uma tradução, a prazo, na vida das pessoas".

Ora, se fosse eu, Miguel Midões, a chegar hoje a casa da avó Milinha e dissesse tamanha afirmação à mesa do jantar. No meio de toda a sua serenidade, a avó Milinha dir-me-ia: “somos o hércules da fraqueza! Achas mesmo que vamos sair da recessão? Tens fé nisso?”

Caso levasse a minha convicção adiante e lhe apresentasse ainda mais alguns argumentos do nosso vice-primeiro ministro e lhe dissesse que "a maioria dos portugueses tem sabido enfrentar as dificuldades" e que isso tem ajudado o país a sair da recessão. Depressa a avó Milinha ir-me-ia lembrar do aumento esperado com as despesas do governo para 2014, ou não fosse o governo ter aumentado significativamente de elementos. Dir-me-ia na sua gíria: “esses papões! Estão lá é para nos comer as papas na cabeça!”.

Então se lhe dissesse que "a austeridade é uma consequência do resgate e não uma escolha", a avó Milinha diria, com toda a certeza “estás perdido meu amor. Deixaste-te perder. Então interessa-me lá se foi uma escolha ou se foi a consequência de um resgate. O que eu sei é que a minha reforma, que nem chega a 300 euros, mal dá para eu comer. O que eu sei é que só na farmácia deixo tanto em medicamento quando de reforma ganho e que o que me vale é a reforma do teu avô que passa ligeiramente os 300 euros. Sim, e vale-me o facto de ainda termos umas hortas e umas árvores de fruta!”

Remataria, com certeza, “como hercúleos somos, meu amor! Mas, somos os hercúleos da fraqueza! E Eles?”

Não há pior feedback do que a falta de feedback.

Não há pior feedback do que a falta de feedback.

No que respeita aos e-mails, eu sou um dos que tem uma baixa taxa de resposta. Normalmente, penso que os outros deviam dar resposta, colocando o ónus da questão nos outros. No entanto, o problema pode estar nos meus e-mails.

Vou implementar algumas dicas com o intuito de obter maior feedback. Enumero-as abaixo:

1. Cumprir as regras de pontuação e do uso de maiúsculas.
2. Ir direto ao assunto, mas com educação.
3. Ser breve, mas não em excesso.
4. Cortar gordura da mensagem, mas mantendo a carne intacta.
5. Esclarecer o que aconteceu, e quando.
6. Adicionar uma linha de assunto curta mas descritiva.
7. Adicionar criteriosamente as pessoas.

Espero que estas dicas aumentem significativamente a taxa de resposta aos e-mails. Se quiserem saber mais, fica de seguida o link para o artigo: http://www.dinheirovivo.pt/Emprego/Artigo/CIECO116446.html?page=0

Já Fernando Pessoa o dizia...

"Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
Define com perfil e ser
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer--

Brilho sem luz e sem arder,
Como o que o fogofátuo encerra.
Ninguém sabe que coisa quere.
Ninguém conhece que alma tem,

Nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.

Ó Portugal, hoje és nevoeiro...
É a Hora!" - Fernando Pessoa
                                                                                  

Os selvagens!




No domingo, depois de arrumar a cozinha, em vez da habitual paragem no sofá para fazer zapping pela deprimente televisão nacional (ao domingo à tarde) decidi que haveria de ir levar a reciclagem ao centro da vila do Luso.
Esquecendo-me de que era domingo, depois de “despejada” a reciclagem no seu devido lugar, decidi que iria à Fonte de São João encher cinco garrafões de água, apenas cinco.
Ao leitor do Luso passo a explicar as razões porque fui à fonte buscar água (não é muito habitual ver por lá alguém do Luso):

1º - a água de minha casa é de furo e prefiro beber a da fonte (questões de segurança);
2º - é mítico o gesto de ir à fonte buscar água;
3º - curiosidade em apreciar a fonte num domingo à tarde.

Não era verão, mas o tempo estava ameno.
Cheguei com os meus cinco garrafões na mão e havia… FILA!

CONSTATAÇÕES:
1.       Eram imensos os rótulos espalhados pelo chão e presos nas grades por onde escorre a água;
2.       As pessoas acotovelavam-se para encher mais garrafões que o vizinho e havia mesmo quem estivesse com garrafões em três bicas. Ou seja, duas mãos a controlar três garrafões a encher de cada vez;
3.       Os garrafões vazios que estavam à espera de encher (à exceção dos meus) eram de todas as marcas menos do Luso ou do Cruzeiro. Reinava Mini-Preço, Continente e Pingo Doce;
4.       O que mais se ouve é: “Leva, leva! Ali, ali… corre! Vai ao carro, mas vai depressa e volta para buscar mais!”

Embora estagnado, perplexo e até um pouco anestesiado com tamanha insensatez, continuei impávido e sereno a assistir à “comédia” até que fui “ultrapassado”. Do alto dos seus sapatos altos e das suas gangas justas. A senhora que desceu as escadas apressadamente, em jeito de corrida, olhando para trás e dizendo ao marido barrigudo e de bigode que corresse, não viu a fila, não respeitou a espera dos outros e com sorrisinho malandro (à tuga) esgueirou-se para a bica que há 2 segundos tinha ficado livre. A bica que era (ou ia ser) minha!
O cúmulo: olhou para mim, de alto a baixo. Virou a cabeça ao chão. Não satisfeita, voltou a olhar para mim e de novo o sorrisinho malandreco a dizer-me: “fui espertalhona!”
A isto apenas consegui abrir a boca e responder: “nunca viu um fato de treino com um homem lá dentro?”

Fiquei incrédulo. O senhor de bigode lá chegou. Esperou que os garrafões enchessem. Arrancou o resto de um rótulo que já estava pendurado, deitou-o ao chão e acartou com os garrafões. Os saltos altos seguiram-no, não sem antes voltar a dar o sorrisinho maroto ao tipo de fato de treino: “fui espertalhona!”


Enchi os meus garrafões e no caminho para casa vinha a pensar em ideias (perigosas) para solucionar tamanha insânia na fonte de São João, no Luso. Aqui ficam algumas dessas ideias (perigosas ou estúpidas):

1.       Criar um cerco à fonte e colocar um fiscal que atribuiu senhas aos “esfomeados por água” e um número mínimo de garrafões a encher. Mas, quem pagaria este senhor? A junta, a câmara, os parquímetros que não existem nos estacionamentos que circundam a fonte, etc…
Este mesmo fiscal aplicaria multas a quem deixasse rótulos no chão ou garrafas e garrafões abandonados…
2.       Libertar duas bicas (as das pontas, por exemplo) para que os turistas possam encher a sua garrafa e/ou beber água na palma da mão;
3.       Obrigar os “esfomeados por água” a receberem cinco minutos de formação de boas maneiras, valores e boa educação.

Esta última será, sem dúvida, a mais necessária, mas aquela que deveria também ser a mais dispensável, porque afinal de contas todos devemos ir adquirindo, à medida que crescemos, boas maneiras, valores e boa educação.
As ideias são perigosas, mas alguma coisa há a fazer naquele local. Quem tiver ideias melhores que as apresente e as implemente.
A grande conclusão que tirei, e com efeitos imediatos a partir de agora: seja verão ou inverno, ir buscar água à Fonte de São João, no Luso, para beber em casa, nunca ao domingo e sempre depois das 20h.
Para ver selvagens, escolho outro sítio!

voar por aí: aldeias da luz no mundo

Fonte: público
A aldeia da luz tem uma história associada muito interessante: o local original da sua localização seria alagado pela barragem do Alqueva. Foi construída uma réplica da aldeia para que os seus habitantes não sentissem muito a mudança. No entanto, na análise feita pelo Público, e apesar do interesse "Académico" do processo, o resultado parece não ser o melhor. Não é caso único. Existem outras "Aldeias da Luz" por esse mundo fora, nomeadamente: 

* Kiruna (Suécia)
* Hibbing (EUA)
*Tallangatta (Austrália)
* Galveston (EUA)
* Minor Lane Heights (EUA)
* Morococha (Peru)

Vale a pena conhecer um pouco mais das cidades e dos motivos da sua transferência de local em: Hypescience

voo rasante: Passar camisas



"Quando veio até mim uma mãe que me disse "tenho um filho de 30 anos, mas não se casa, não se decide, tem uma noiva bonita, mas não se casam", eu respondo: 'Senhora, deixe de passar-lhe as camisas"", comentou o pontífice argentino, num ato transmitido em direto pela televisão." in [JN]

Há atualmente uma atitude tão protetora relativamente aos filhos que há casos em que aos 40 ou 50 anos, nem todos cortaram o cordão umbilical.

Mad scientist ou o cientista alucinado e o teletransporte



No concurso de Outono dos discursos de improviso em Inglês, realizado no CTC (Coimbra), e superiormente organizado pelo clube de Leiria, o tema foi Mad Cientist "your last mad invention"! Ouve dois discursos improvisados e de grande qualidade, pela história sobre transportes que conseguiram construir em apenas 120 segundos: transporte magnético por indução de baixas temperaturas (Daniel) e o teletransporte (António).

Para os curiosos e para o António, um dos Mad Cientists, deixo uma sessão experimental que foi levada a cabo num centro comercial! Estarás a ficar para trás nas tuas invenções, António?

João Sousa ganha torneio de Kuala Lumpur


"Um feito nunca antes feito" no ATP Tour por um Português! Nos últimos torneios alguns/mas tenistas portugueses/as já têm ultrapassado algumas etapas relevantes, chegando a eliminatórias a que não era habitual chegar, há poucos anos atrás. 
Verifica-se que existe alguma tendência de melhoria no ténis dos portugueses. Creio porém, que poucos acreditariam que uma vitória portuguesa num torneio desta dimensão fosse possível, pelo menos até ter eliminado David Ferrer, o 4.º classificado no ranking ATP.

Que este seja um desempenho a manter para o futuro, e que possa ser mais um exemplo do "American Dream", cumprido em Portugal!



autárquicas 2013 * dia da independência

Este dia 29 de Setembro de 2013 pode ser o dia da independência, no que respeita aos partidos políticos. A chegada de um conjunto de candidaturas independentes vencedoras, é uma lufada de ar fresco no panorama político nacional. Já tinha assistido a um movimento destes de forma muito próxima numas eleições autárquicas em que pessoas de valor não se conseguiram impor num ambiente em que a matriz partidária é absolutamente trucidante. Mas estas eleições, permitiram que um conjunto de independentes se afirmassem no panorama autárquico. Este parece-me um caminho muito adequado. Mas será que é para continuar a trilhar?

Há muitos defensores de que os partidos são a base da democracia. Esta é uma verdade inquestionável! Inquestionável até ao momento em que os partidos deixam de funcionar com base em valores e ideologias, funcionando essencialmente com base nos interesses do momento, na contagem de armas para assegurar as vitórias aritméticas deixando cair vezes sem conta os valores e crenças. Parece-me que há democracia para além dos partidos, e neste tipo de eleições faz todo o sentido aparecerem listas com projetos para as suas terras que incluam pessoas de diferentes áreas ideológicas e com perfis completamente diferentes. Faço para mim duas questões principais:
1.º Serão estas listas independentes resultado de preteridos pelas listas oficiais dos partidos, refugiando-se num movimento que não sai muito da esfera dos partidos e até serve para ajustes internos?
2.º Serão estas listas de independentes resultado de uma estratégia de alguns partidos, encapotando as suas origens e fazendo por enganar os incautos eleitores, sendo na realidade um partido que está a orientar a lista?
Felizmente, o Rui Moreira parece-me um verdadeiro independente, o que pode catapultar o efeito dos "Movimentos Independentes":

Agora, relativamente aos resultados:

Porto: Porque senti uma alegria tão grande com a vitória do Rui Moreira?

Lisboa: Tudo normal, em Portugal Continental! Surpresa? Apenas a dimensão, maior do que o inicialmente esperado.

Coimbra: Uma magistral caminhada vitoriosa para que tudo fique na mesma! Eu sou apaixonado por esta cidade e fico preocupado quando a expressão "Uma vitória de Pirro" não me sai da cabeça! Espero estar redondamente enganado, mas vejo outras cidades da região a avançar a grande velocidade, com motores altamente competitivos, enquanto por aqui, vamos avançando lentamente, usando a carroça de há vinte anos atrás, que já se vira ter graves problemas de locomoção. A ver vamos, como dizia o cego, mas o maldito do Pirro...

Aveiro: Esta é mais um cidade objeto da minha paixão. Mas é uma cidade que escolhe a pessoa e o projeto para a cidade em detrimento do partido. Desde que me lembro, já foi CDS, PS, PSD, o que demonstra sapiência na escolha. Agora, escolheu um autarca que já deu provas inquestionáveis no concelho vizinho de Ílhavo. Se no início da sua vida política tinha algumas dúvidas quanto ao Ribau Esteves, hoje sou um admirador das suas capacidades e estou completamente convencido que Aveiro vai dar um salto grande na sua afirmação na região e no país.

Anadia: É normal dizer que o PS está para a Mealhada como o PSD está para Anadia, mesmo que se coloque como candidato um asno, em Anadia ganha o PSD, tal como na Mealhada ganha o PS. Em Anadia, assistimos à queda de um mito. Ganhou um independente, embora aqui, o termo independente seja utilizado de forma abusiva. Mais correto seria dizer, ganhou um amotinado. Foi a queda de um mito urbano.

Mealhada: Seria interessante ver uma pessoa com provas dadas na sociedade civil e empresarial a gerir o município. Acredito na inteligência do executivo eleito para agir em parceria com pessoas de outras áreas no sentido de, em conjunto, conduzir o nosso concelho a bom porto. O pleno, na Câmara Municipal e Juntas de Freguesia, deixa todas as condições para que o executivo faça um excelente trabalho e de forma equitativa. É o meu forte desejo.

Os resultados estão aí! Vamos ver se estes movimentos de independentes são para manter e se vão começar a ter um papel relevante na nossa sociedade, ou se foi circunstancial. Neste momento, o mais importante é que cada um sirva o melhor que puder a sua autarquia, de modo a assegurar uma vida digna aos seus eleitores. 

Que o lema de cada um e de todos, passe não por servir-se, mas sim por Servir, ou como dizia Sólon, um dos sete sábios da Grécia Antiga, "Aquele que quer aprender a ser chefe tem primeiro que aprender a servir."

Rui Costa conquista Florença e é o campeão do mundo de ciclismo

Estamos tão habituados a viver de memórias e de recordações que, por vezes, nos esquecemos de olhar adequadamente para o presente e para o futuro. O Joaquim Agostinho é um nome importante no meio ciclista português, mas apenas enquanto servir de exemplo para outros saberem que é possível conquistar grandes vitórias. Já me aconteceu não dar o destaque ao Rui Costa, o ciclista, como aconteceu neste caso, mas o seu elevado desempenho de cariz contínuo no tempo, reforça a sua importância e a admiração que merece, independentemente de ser chamada de primeira página ou não. O trabalho é reconhecido, mais cedo ou mais tarde. Também ao nível da importância dada pelos jornais desportivos, houve alterações.  Se bem me lembro, pela primeira vez os 3 jornais desportivos chamam à primeira página, como notícia principal, outras modalidades ciclismo - Rui Costa e ténis - João Sousa. Que seja um processo de aprendizagem para os jornais e que motivem vários a atingir resultados de excelência. Não só no futebol, não só no desporto, mas de forma abrangente. Mais uma vez, o "American Dream" conquistado por portugueses.

Fica a imagem dos últimos metros da prova do Rui Costa em:
http://www.record.xl.pt/multimedia/videos/interior.aspx?content_id=846609