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A Ilusão do Líder Completo

 

Foto@pexels de Roman Ska

Vasco e Verónica cresceram na mesma rua, estudaram na mesma escola e aprenderam cedo a confiar um no outro como se fossem família. Mas a vida tratou de os diferenciar de forma quase caricatural.

Vasco via o mundo como algo a corrigir. Verónica via o mundo como algo a explorar.

Anos mais tarde, eram sócios de cinco restaurantes, com negócios prósperos, reconhecidos, e… intensos e tensos.

Quando Verónica entrava num restaurante, o ambiente mudava. Havia risos, conversas espontâneas, mãos que a puxavam para a cozinha para provar um prato novo. Os colaboradores falavam abertamente: problemas, ideias, sugestões. Sentiam-se ouvidos. Sentiam-se parte.

Ficavam mais tempo do que deviam. Não porque precisassem, mas porque queriam.

Já Vasco… era o oposto.

Entrava e o ruído baixava ligeiramente. Não por respeito formal, mas por retração. A sua presença era densa. Observava tudo. Pequenos erros não lhe escapavam. E quando alguém ultrapassava o que ele considerava uma “linha”, a reação era rápida e dura… por vezes explosiva.

Não gritava sempre. Mas quando acontecia, assustava.

As pessoas retraíam-se. Foram deixando de falar quando ele estava por perto. E no entanto, ninguém duvidava dele. Projeto nas mãos do Vasco era garantia absoluta: feito, entregue, com qualidade. Sem falhas. Sem desculpas. Mas havia um preço — e todos sabiam qual era.

Quando surgia um novo projeto com o Vasco como responsável, começavam as justificações: “Estou com muito trabalho…”; “Talvez outra pessoa…”;

Não era falta de compromisso. Era fuga antecipada a um desgaste previsível. Vasco sabia. E isso corroía-o.

Porque, no fundo, queria o que Verónica tinha. Leveza, proximidade e admiração espontânea. Não acreditava que fosse possível.

“Se eu não controlar, isto descamba.” dizia. “Se eu não estiver em cima, alguém falha.”

Verónica respondia sempre com a mesma simplicidade irritante: “Ou então estás a provocar exatamente isso.”

Ele tentava mudar.

Houve fases boas. Dias em que respirava fundo, confiava, delegava. Sentia-se diferente. Mais leve. Até… admirado.

Mas depois vinha uma falha. Um atraso. Um detalhe fora do sítio. E o padrão regressava. Controlo → tensão → explosão → culpa → vergonha. Um ciclo fechado.

Até que decidiu afastar-se. Seis meses. Uma especialização na área "Planeamento e controlo de custos na restauração".

Para ele, foi um laboratório interno. Para Verónica… um teste de realidade.

Sem Vasco, a empresa ganhou ainda mais energia. As equipas estavam motivadas, conectadas, cheias de ideias.

Mas algo começou a falhar.

Projetos adiados. Decisões prolongadas. Execução inconsistente. A visão existia. A concretização… nem sempre.

Verónica percebeu o que nunca tinha admitido: inspiração sem estrutura cria entusiasmo… mas não cria resultados sustentáveis.

Quando Vasco voltou, notou imediatamente.

O ambiente estava leve. Quase festivo. Mas os sistemas… frágeis. 

Olharam um para o outro. Sem palavras. Ambos tinham aprendido.

Abriram uma Pedra Só Super-Reserva 2021. Brindaram.

“À amizade.” disse Verónica. “À exigência.” respondeu Vasco.

“E à desorganização controlada?” provocou ela, com um sorriso.

Vasco não respondeu de imediato. Desta vez, sorriu. “Ao dueto maravilha. Porque sozinhos… falhamos.”

Naquele momento, ficou claro o que antes evitavam admitir: Era bom Vasco ser exigente. E a leveza de Verónica trazia muita positividade. Ambos precisavam parar de acreditar que o seu modelo, isolado, era suficiente.

Porque a verdade era dura e agradável: Sem Vasco, faltava execução. Sem Verónica, faltava humanidade.

Durante anos, o verdadeiro problema não tinha sido a diferença entre eles.

Tinha sido a resistência em aceitá-la como vantagem estratégica.

Brindaram de novo, não ao que eram, mas ao que só juntos conseguiam ser.

Tomé Bronco de Almeida

 

Tomé Bronco de Almeida gostava de um mundo justo.

Gostava que todas as crianças tivessem oportunidades.
Gostava que o trânsito fosse fluido.
Gostava de gostar mesmo da mulher.
Gostava que o filho fosse o melhor... Ele sabia que o filho é o melhor... se não fossem os que o querem tramar... afinal, ele sai ao pai!
Gostava que todos gostassem do filho... Nem percebia como tal não era possível.
Os professores, não gostavam do filho. Estavam sempre a dizer-lhe que estava errado. A dizer que era mal comportado. Os professores são uns falhados e não percebem nada de educação. 
Os treinadores, punham outros miúdos a jogar. Como? Ele é o craque da equipa... Devia jogar sempre... Falhados! Por isso é que o clube está onde está...
Os colegas, já não convidavam o filho para os seus aniversários... têm inveja. Gostariam de ser bons como ele. No futebol ninguém o bate. E se for necessário, dá no osso. Os homens têm que ser rijos. E é de pequenino que se torce o pepino... 
Aqueles dois amigos, são rijos... Verdadeiros amigos... Esses é que são bons... Os outros, são uns bananas!

O que penso antes do jantar, segundo o Eneagrama!


Este está a ser um período difícil, por isso, antes de qualquer outro assunto, um grande abraço (à distância) para quem está na luta ativa contra o Covid-19 e também para quem está a fazer o que é pedido (a mim, pedem-me isolamento e estou a cumprir desde a semana passada).
Podemos pensar no que vamos fazer no pós-pandemia e como vai ser reunir com família e amigos.
Hoje, dia do meu aniversário, estou em isolamento. Acredito que noutros tempos o isolamento fosse bem mais complicado, pois o isolamento permite-me ter contacto com pessoas de quem gosto e que são importantes para mim. Hoje, com os facetimes, skypes, whatsup e outras plataformas similares, conseguimos estar em contacto, seja na vertente pessoal ou na profissional. Mesmo assim, já estou a planear uma festa de aniversário de arromba. Lá mais para o Verão... Ou no próximo ano... Quem sabe se faço uma semana de festa, com vários jantares!

Havendo vários jantares, um deles será com os Eneagramistas, que têm uma consciência grande das diferenças entre as pessoas. Sabendo que todos somos diferentes e já tendo visto algumas análises ao tema, fica aqui uma reflexão sobre o que cada tipo pensará, quando se estiver a preparar frente ao espelho, antes do próximo jantar:

1. Espero levar um vinho apropriado. E o dress code? Será que estou bem?
2. Espero que os meus amigos gostem todos uns dos outros. Eu estarei lá para os ouvir...
3. Espero fazer bastante networking. Vou contar a todos os meus sucessos.
4. Não estou com grande vontade de festas. Pode ser que percebam bem como a minha vida é difícil.
5. Queria ficar em casa a analisar os modelos matemáticos sobre a pandemia.
6. Tenho que me lembrar de dar comida ao cão... E não me posso esquecer de fechar tudo bem fechado.
7. Se não for um grupo divertido, eu faço-os divertirem-se à grande. Se não for possível, já tenho outras opções :-)
8. Só fico, se houver bom vinho, mulheres e música da boa! Comigo, seria um jantar memorável!
9. Espero que seja um jantar calmo, com todos a conviver harmoniosamente.

E cada um de vocês, que conhecem o vosso tipo? O que pensam quando se preparam para um jantar?

Sorte e saúde e que a força esteja connosco, para alcançarmos rapidamente a bonança!

CUIDA-TE!
KEEP SAFE!

Vinte valores fundamentais para educar crianças

Photo by Samuel Zeller on Unsplash

Nem sempre é fácil conhecer os valores pelos quais nos regemos. Pode ser algo muito inconsciente. Mais difícil ainda, é passar os valores que nos foram passados e nos quais acreditamos. Diria mais... Com o frenesim diário, nem sempre é fácil parar para pensar e saber quais são, conscientemente, os nossos valores. No entanto, é fundamental pararmos e pensarmos que valores queremos passar aos nossos filhos, às nossas crianças. Quando identificamos os valores, pode ser útil encontrar formas engenhosas e divertidas de os passar, aproveitando o dia a dia, as dificuldades que surgem, os momentos de alegria, um filme analisado criticamente e perceber como, em qualquer situação, podemos aproveitar para passar os nossos valores. Pode ser através do exemplo da nossa seleção, falando dos valores como a união, a solidariedade, a esforço ou a esperança; ou pode ser através de uma cena de um filme de Harry Potter, em que podemos transmitir a importância do trabalho, a persistência, a coragem ou o altruísmo, ou ainda uma notícia de plágio e as consequências daí decorrentes (como alguns casos conhecidos, dos quais se destaca o caso do Toni Carreira, pelo seu mediatismo enquanto cantor e pelo apetite que causou na imprensa e redes sociais). 

Para facilitar a identificação dos meus valores, fica aqui registada uma lista interessante que encontrei no livro "Educar sem gritar" de Guillermo Ballenato. Acredito ser um apoio precioso na identificação dos valores que quero passar. São os seguintes:

Família: como valor fundamental e ponto de partida do desenvolvimento individual e social. É um espaço de encontro e acolhimento, de ajuda mútua e apoio incondicional, onde se pode aprender, aumentar a nossa confiança básica e encontrar segurança amparo. 

Respeito: a convivência só é possível a partir do reconhecimento, da compreensão e da aceitação dos outros, da sua maneira de ser, pensar e agir, mesmo quando diferem das nossas. Implica dar valor às diferenças, respeitar os bens que não nos pertencem, tratar os nossos semelhantes com dignidade e ter também consideração para consigo mesmo. Temos de educar os filhos no respeito dos outros e, naquilo que ainda pode ser mais importante, no respeito por si mesmo.

Amizade: o afeto pessoal e mútuo que nasce do contacto com amigos e que se pode alimentar com base na confiança e, na fidelidade e na lealdade.

Cooperação: a importância de trabalhar juntos para obter objetivos comuns e, metas partilhadas. Saber trabalhar em equipa como mais um.

Alegria: cultivar o sentido do humor,  sorrisos, risos. Aprender a contentar-se e a desfrutar das pequenas coisas, a encontrar a satisfação e o prazer com base no optimismo.

Sinceridade: descobrir o valor da verdade, do autêntico. Falar com franqueza, com clareza. Isto envolve a recusa do engano, da mentira e da ocultação quando comunicamos com os outros.

Coerência: pensar, falar e agir de acordo com os nossos princípios, mostrar congruência, ser-se capaz de cumprir com a palavra dada.

Empatia: desenvolver a capacidade de entender como pensam e sentem os outros, aprender a colocarmo-nos no seu lugar para compreender o seu ponto de vista, a sua visão pessoal.

Educação: tratar os outros com cortesia e civismo, aceitando e compreendo as regras que nos auto-estabelecemos para tornar a convivência possível.

Justiça: um valor essencial que nos leva a agir em consciência, com sentido de acuidade e de equilíbrio. Devemos procurar dar ou tentar tratar cada pessoa de acordo com a sua unicidade, como indivíduo único que é. 

Solidariedade: ajudar os outros, os colegas que tem dificuldades, as pessoas que têm alguma limitação ou incapacidade, as que sofrem de adversidades ou doença. Esta atitude implica assumir uma co-responsabilidade nas causas de outros, tendo em consideração que são seres humanos iguais a nós.

Generosidade: vinculada à solidariedade e à vontade; ser capaz de dar sem esperar nada em troca, sem que usados sejam movidos pelo interesse, apenas pelo desejo de dar.

Bondade: a inclinação para fazer o bem aos outros, a agir com humanidade, com boa vontade. Educar o nosso filho para que este seja, como se diz coloquialmente, uma boa pessoa.

Honradez: Agir com os outros com integridade, com nobreza e sentido de honra, tentando fazer com que os nossos comportamentos sejam regidos pela consciência moral.

Liberdade: envolve a possibilidade de manifestar e defender as nossas opiniões, de decidir voluntariamente aquilo que queremos pensar ou aquilo em que acreditamos, decidimos ou fazemos. Esta obtém-se a partir do respeito às normas de convivência, mas também a partir do reconhecimento e do respeito à liberdade dos outros.

Responsabilidade: valor associado a liberdade; envolve a aceitação das consequências que derivam das ações que decidimos e realizarmos livremente. Implica colocar um especial cuidado e atenção nos nossos atos, porque devemos responder por eles.

Trabalho: valorizar a importância de nos mantermos ativos, de produzir, de construir, de criar. As maiores obras surgem da dedicação, do esmero, e do esforço. O trabalho dignifica os seres humanos.

Ilusão: Viver com uma atitude positiva, motivados, com a esperança de conseguir aquilo que desejamos, confiante que podemos alcançar os nossos objetivos.

Vontade: o ânimo pessoal e a resolução própria para fazer as coisas com prazer, com gosto, querer mesmo fazê-las. Exercer a nossa faculdade para decidir e agir por nós mesmos, sem que seja preciso um impulso extremo que nos pressione a fazê-lo.

Constância: aprender que a firmeza nos objetivos e tenacidade nos projetos conduzem ao êxito. Os resultados são quase sempre fruto da perseverança. Perante o fracasso, podemos continuar a tentar, a experimentar uma e outra vez, e a melhorar a cada nova tentativa, até alcançar o objetivo.

Para quem, mesmo assim, não se identifica com alguns destes valores, ou considera que há outros mais relevantes, o autor dá-nos a possibilidade de termos acesso a um conjunto mais alargado de valores que deverão contribuir para o que queremos passar para os nossos filhos. Cada um de nós ainda pode encontrar outros valores que não se encontrem aqui e que sejam relevantes.

Eis a lista:

Aceitação
Afeto
Ajuda
Alegria
Altruísmo
Amabilidade
Ambição
Amizade
Amor
Apreço
Aprendizagem
Austeridade
Autenticidade
Autocontrolo
Auto-estima
Autonomia
Auto-realização
Beleza
Bondade
Calma
Caridade
Civismo
Coerência
Colaboração
Compaixão
Competitividade
Compreensão
Compromisso
Comunicação
Confiança
Conhecimento
Constância
Cooperação
Coragem
Cordialidade
Criatividade
Critério
Critica
Cultura
Decisão
Delicadeza
Dever
Diálogo
Dignidade
Diligência
Diplomacia
Direito
Disciplina
Discrição
Disponibilidade
Diversão
Doçura
Educação
Eficácia
Elegância
Emoção
Empatia
Entusiasmo
Escuta
Esforço
Esperança
Espiritualidade
Ética
Exemplo
Êxito
Família
Fé
Felicidade
Firmeza
Flexibilidade
Força
Formação
Generosidade
Gratidão
Habilidade
Harmonia
Higiene
Honradez
Hospitalidade
Humanidade
Humildade
Humor
Ideais
Identidade
Igualdade
Ilusão
Imaginação
Independência
Individualidade
Iniciativa
Inovação
Integração
Integridade
Inteligência
Intuição
Inventiva
Justiça
Juventude
Labor
Lealdade
Liberdade
Magnanimidade
Maturidade
Misericórdia
Modéstia
Moral
Motivação
Naturalidade
Negociação
Normas
Obediência
Ócio
Optimismo
Organização
Originalidade
Paciência
Partilhar
Participação
Patriotismo
Paz
Perfeição
Perseverança
Personalidade
Piedade
Poder
Prazer
Prestígio
Profissionalismo
Prudência
Racionabilidade
Realismo
Reflexão
Religiosidade
Resistência
Respeito
Responsabilidade
Riqueza
Risco
Saúde
Sabedoria
Serenidade
Segurança
Sensibilidade
Sexualidade
Simplicidade
Sinceridade
Sociabilidade
Solidariedade
Superação
Ternura
Temperança
Tempo
Tenacidade
Tensão
Tolerância
Trabalho
Tradição
Transcendência
União
Urbanidade
Verdade
Vida
Vocação
Vontade
...

E se o elefante usar o Eneagrama?


O mundo do circo tem uma sabedoria muito própria. Há questões que são muito específicas deste mundo, outras, podem servir de aprendizagem para o nosso dia a dia.

Os domadores de elefantes, quando começam a treinar os elefantes bebés, amarram uma pata do elefante com uma corda resistente. A outra ponta da corda, é amarrada a uma estaca que fica cravada no chão. Nos primeiros tempos, o elefante faz várias tentativas para se soltar, mas não tem forças para isso.

Durante vários meses, o elefante começa a perceber que nunca vai conseguir soltar-se. Mesmo continuando a tentar, a corda e a estaca ainda o mantém preso. Cerca de um ano depois, o elefante compreende que não se vai conseguir soltar. Acredita profundamente que a corda é mais forte do que ele. Deixa de tentar libertar-se e passa a assumir que a corda será sempre limitadora. Desistiu... Deixou de acreditar na liberdade... Passou a acreditar na permanência da sua condição!

Quando o elefante chega a adulto, o domador pode prendê-lo com um cordel fino, preso a um pau solto, que o elefante assume que não se vai conseguir soltar e nem tenta.

Também nós temos algumas destas características. Somos moldados a ter determinados comportamentos e respondemos de uma forma tal, que começamos a desenvolver as nossas crenças que nos vão perseguir por toda a nossa vida. Algumas crenças são limitadoras, e não nos permitem soltar de preconceitos ou formas de ver a vida prejudiciais.

Uma das formas de contrariarmos estas crenças passa por nos conhecermos bem e sabermos quais são as nossas amarras e fazermos um trabalho pessoal e intenso que nem sempre é fácil, nem sempre é rápido, nem sempre é  agradável.

Diria mesmo que um trabalho pessoal de melhoria exige tempo, disciplina e persistência. Não há receitas milagrosas. O Eneagrama é um conhecimento milenar que ajuda imenso neste trabalho pessoal. O Eneagrama ajuda a soltar as amarras. Ajuda a ter maior consciência de nós próprios, das nossas dificuldades e limitações e permite-nos um crescimento que nos leva a uma gradual melhoria enquanto pessoa.

Uma ferramenta que nos permite tornar cada humano mais humano; cada pessoa, uma melhor pessoa.

Eu uso o Eneagrama intensamente!
Eu uso o Eneagrama para me conhecer melhor.
Eu uso o Eneagrama para melhorar a minha vida.
Eu uso o Eneagrama para melhorar o meu mundo.
Ganho eu e quem me rodeia!

Conhece, estuda e trabalha o Eneagrama e verás mudanças no teu mundo.

O legado


O que quero para o futuro dos meus filhos?


Uma questão que de quando em quando ocupa os meus pensamentos é: qual o legado que quereria deixar para vocês, queridos filhos?
Invariavelmente, surgem dois níveis de análise... um macro, mais global, com uma capacidade limitada de mudar a situação sozinho e um micro, correspondente à capacidade efetiva que temos para mudar o mundo que nos rodeia e ao contexto sob a nossa influência. Este último, é aquele sobre o qual podem ter intervenção direta.

O legado macro:


Quando penso no legado macro, revejo-me nos discursos preparados dos concursos de Miss Portugal, Miss Mundo ou Miss Universo. No entanto, é um desejo sentido e profundo, que não foi escrito ou pensado por ninguém para parecer bem. E embora pareça bem, quero que vocês saibam que seria um legado que respeitasse a minha aprendizagem durante a vida e a perceção que tenho do  mundo. Este legado macro, teria duas grandes linhas de orientação:
i) a paz no mundo;
ii) um planeta saudável e sustentável para poderem viver bem.


O legado micro:


No que se refere ao legado micro, o conforto é maior, pois podemos ter ações no nosso dia a dia com grande impacto na nossa vida Se tivesse que escolher 3 grandes linhas de orientação, seriam:
i) estuda muito... obtém conhecimento e coloca-o em prática, sempre que tiveres oportunidade.
ii) Respeita todas as pessoas, incluindo a tua pessoa.
iii) Aprende o Eneagrama, coloca-o em prática e ensina-o a quem te rodeia. 

De volta ao legado macro:


Porquê esta preocupação com estas duas grandes linhas de orientação?

i) a paz no mundo * quanto a esta linha, todos já vimos o poder das armas de destruição massiva, das armas nucleares. Se adicionarmos a esta panela de pressão a loucura que se tem apoderado dos governantes deste planeta, constata-se que, apesar do número de conflitos ter diminuído significativamente, nos últimos anos, o poder destrutivo de cada conflito é assustadoramente maior. Cada vez mais, uma só pessoa pode dizimar a humanidade com uma facilidade brutal e sem contraditório. Por isso, admiro os embaixadores da paz, sejam eles quem forem e estejam em que áreas de atuação estiverem. Todos seremos poucos para assegurar um mundo mais pacífico.
Se estivesse nas minhas mãos, deixar-vos-ia este legado.

ii) um planeta saudável e sustentável para poderem viver bem. Embora haja teorias sobre as alterações climáticas e a sua origem noutros fatores que não os homens e o seu impacto sobre a natureza, eu acredito numa relação profunda entre as alterações climáticas que se têm verificado com as ações dos homens. É minha convicção profunda que a consequência (alterações climáticas) estejam diretamente e proporcionalmente ligadas à causa principal (ação do homem). E se em muitos aspetos a mudança para pior se propaga lentamente, como a poluição atmosférica e dos oceanos, com impacto significativo na nossa qualidade de vida direta (ar que respiramos e alimentos que consumimos), há outros aspetos que deviam levar a níveis de alarme grave e atuação rápida (os vários acontecimentos climatéricos e as suas alterações significativas das quais, todos nós nos no nosso dia a dia). Desconfio que a tendência será para piorar, prevendo a necessidade de uma enorme capacidade de adaptação para enfrentar as intempéries cada vez mais comuns e mais poderosas, e provavelmente, para poder mudar de lugar em muitos momentos da sua vida, não por opção, mas por necessidade.
Se estivesse nas minhas mãos, deixar-vos-ia este legado.

De volta ao legado micro:


Se, no que respeita ao legado macro, a nossa atuação pode ter uma influência reduzida, relativamente ao legado micro, podemos mudar a nossa vida permanentemente. Assim, eu daria maior relevância a esta áre micro e, quanto maior controlarmos e gerirmos esta zona, maior é a probabilidade de alargar a nossa área de intervenção direta. Falando das 3 linhas de orientação:

i) estuda muito... obtém conhecimento e coloca-o em prática, sempre que tiveres oportunidade.
Já dizia Aldous Huxley "conhecimento não é o que sabe, mas aquilo que faz com o que sabe!". Por isso, a finalidade do conhecimento de que aqui falo, não é propriamente o saber muito e ter muita informação na cabeça. Devemos estudar, devemos aprender para por em prática. Ter prazer em aprender pelo que isso nos proporciona, e não para tirar boas notas. As boas notas serão uma consequência natural do conhecimento obtido e dominado.

ii) Respeita todas as pessoas, incluindo a tua pessoa. Em muita literatura, existe a chamada "regra de ouro" dos relacionamentos e que diz "não faças aos outros aquilo que não gostarias que te fizessem.".Esta será condição necessária, mas não suficiente para ter uma vida boa e tranquila com boas relações familiares e sociais. Há uma outra frase que surgiu a partir desta e que diz: "faz aos outros aquilo que gostarias que te fizessem". Esta frase tem uma boa intenção, no entanto, pode ser intrusiva. Eu diria que o ideal será aproveitar o melhor das duas frases e criar uma outra "faz aos outros aquilo que percebes que eles gostam, desde que não vá contra os teus valores". Esta questão leva-nos ao respeito por todas as pessoas, por saber que todos somos importantes. Não te julgues melhor nem pior que os outros. Cada um de nós tem uma função, uma missão. Por vezes não entendemos a missão dos outros... por vezes procuramos uma vida inteira pela nossa missão e não a conseguimos encontrar. Lembra-te ainda que também tu és uma pessoa, pelo que deves assegurar que és igualmente respeitado por ti - cuida-te bem - e pelos outros - não estejas muito tempo junto de quem não te respeita... é tóxico.



iii) Aprende o Eneagrama, coloca-o em prática e ensina-o a quem te rodeia. Quando chegares aos vinte anos, estuda o eneagrama. Não deixes passar muito tempo. É uma ferramenta milenar, um mapa psico-espiritual (não confundir com religiosidade), que te permite aprofundar o conhecimento sobre ti próprio, e dá-te uma perspetiva dinâmica da tua vida. Permite-te ter uma consciência maior dos pontos fracos e dos pontos fortes quando estás num estado normal da tua vida, quando estás com níveis de stress acima do desejável, e quando estás com um estado de espírito positivo. Temos formas de estar e de reagir diferentes e esta ferramenta permite-nos ter a consciência sobre como estamos em cada momento e, desta forma, agir da melhor maneira possível para aproveitar os pontos fortes, ou para minimizar os pontos fracos. E para fazer que sejam cada vez mais os momentos de "estado de espírito positivo", na tua vida. Vais aprender muito do que é transmitido pelo eneagrama, ao longo da vida. No entanto, este é um atalho para o conhecimento que te permite ter uma vida melhor contigo mesmo e com os teus relacionamentos de diversa ordem. Tenho sentido o poder do eneagrama. Não há milagres, nem receitas milagrosas, mas há trabalho pessoal potenciado com conhecimento precioso. Um tesouro que pode ser explorado por todos e que eu muito gostaria que vocês o explorassem. Não se incomodem por saber que têm defeitos... Todos temos... Incomodem-se por não os conhecer e não saber como os reduzir significativamente. Vão-se compreender bem melhor e vão compreender quem vos rodeia. Acredito que vos possa ajudar a saber o vosso propósito de vida... a vossa missão.

O que quero para o futuro dos meus filhos?


Os aspetos macro, são difíceis de controlar e têm todo um contexto e relações macro que os influenciam.

Se vocês integrarem estas 3 linhas de orientação globais do legado micro, ficaria muito feliz... estes são aspetos que podem contribuir para uma vida alegre, com muitos momentos felizes e com sentido.

Assim, à questão: O que quero para o futuro dos meus filhos?

Gostaria que aproveitassem os pilares atrás descritos e que não se esqueçam de que:
A vida é bela... Vamos aproveitá-la, juntos, o melhor que soubermos...

E tu? O que queres para o futuro dos teus filhos?

Eneagrama: um caminho para o autoconhecimento


Nada melhor do que o Espírito do Natal para iniciar o ENEAGRAMA na CAIS PHARMA.
Começamos com palestra de apresentação do Eneagrama para que cada um possa perceber se faz sentido para si aprofundar a metodologia. 
Se há curiosidade em conhecer esta metodologia, aparece. 
O Eneagrama é uma metodologia milenar de estudo e compreensão do ser humano.
Permite-nos crescer pessoalmente e tornar mais sã a convivência com os outros e, acima de tudo, com nós mesmos.
Com aplicação a nível Pessoal e Profissional.